"Eu sei como é tudo isso. Eu sei como é se segurar e deixar para chorar só quando chegar em casa, debaixo do chuveiro pra ninguém perceber. Eu sei como é refletir sobre a vida antes de dormir e se certificar de que ninguém está te ouvindo, para começar a soluçar. Eu sei o quanto é cansativo, correr atrás de alguém que sequer se importa com você. Eu sei o quanto é doloroso fingir que vai ao banheiro só pra lavar o rosto e se recompor. Eu sei como é ter os olhos úmidos e aquele medo de não conseguir ser forte o suficiente para segurar as lágrimas em público. Eu sei como é sentir aquele nó enorme na garganta, que sufoca, que asfixia, que não tem como não desabar. Eu sei como é sentar na cama, pegar o travesseiro e chorar horas, por motivos que já deveriam ser esquecidos. Eu sei o quanto é difícil sorrir quando a maior vontade é chorar. Acredite, eu realmente sei como é tudo isso. E confesso, não é nada fácil."
"Desnecessário é se aproximar, se apaixonar, se entregar, correr atrás e chorar por alguém que só deu motivos pra não fazer isso."
"Éramos peças de quebra-cabeças diferentes. Mas de certa forma, encaixávamos perfeitamente"
"Era a primeira vez que tínhamos nos visto. Eu fiquei encantado, paralisado. Não falei nada. O meu silêncio poderia conversar com o seu. Não tínhamos nada a dizer, e não queríamos dizer nada. Aquele silêncio parecia uma abertura para o melhor, para tudo de bom que haveria de vir ao nosso encontro dali pra frente. Por isso eu quis permanecer em silêncio, eu sabia que aquele brilho nos seus olhos significava muito mais do que qualquer contato feito por palavras. Eu precisava te tocar, mas não queria me mover e atrapalhar tudo que o mundo havia montado para nós ali, naquele momento. Eu segurei por segundos a respiração, pois nenhum ruído poderia atrapalhar a sintonia que havia em nossos olhares. E todo aquele tempo sem mencionar uma palavra, resultou numa só expressão: Dois sorrisos, que permaneceram pelo resto do dia."
"Éramos o típico casal, que tinha ambos sentimentos de amor e ódio. Mas o ódio dominou de uma certa forma que pensávamos que não daria mais certo. Não tínhamos mais esperança. Cheguei em casa, após o trabalho e lá estava ela, à ponto de colocar um bilhete sobre a mesa. Mas desistiu. Ao me ver recolheu o pedaço de papel e colocou-o dentro do casaco. Ela olhou pra mim e simplesmente disse que partiria. E não me importei e disse sem medir palavras: ” - Vá, estás livre.” A ponto de ouvir o que eu disse, ela pegou as malas e sequer olhou nos meus olhos novamente. Era de se ouvir que estava se desmanchando em lágrimas. Talvez esperava um simples “fica”, o orgulho foi maior. Ela pegaria o terceiro trem do dia seguinte. Que partira tão cedo, antes mesmo do sol nascer. Assim que ela saiu, fechei a porta com uma certa angústia. Estava frio, fui ao quarto pegar um meia pra pôr nos pés. Abri a gaveta de meias e, abaixo de uma meia furada qualquer, me deparei com uma fotografia nossa. Estávamos fortemente abraçados e aparentemente sorridentes. Me veio um sorriso espontâneo e involuntário. Atrás dizia: - ” Juntos para sempre, meu amor.” Ao ler essa mensagem, me veio cenas de toda a nossa história. Era como um curta-metragem não organizado, as imagens passavam numa grande velocidade diante dos meus olhos. E sem perceber, uma lágrima escorreu por todo meu rosto, terminando no queixo. Sequei-a e pensei comigo mesmo: - ” Que burrada que eu fiz? Deixei a mulher da minha vida ir embora.” Sem medir esforços, peguei meu casaco coloquei o celular no bolso, enrolei um cachecol no pescoço, corri até a estrada e peguei o primeiro táxi a caminho do centro da cidade. Havia um trânsito tremendo, houve um acidente. Com pressa, passei ao lado daquele tumulto e sequer notei quem estava debruçado ao chão. Eu queria mesmo é chegar o quanto antes dela pegar o trem e partir. Faltando pouco tempo pra chegar ao centro, o celular toca. Era um número desconhecido. Meio receoso atendi e perguntei:
- Alô?!
- Alô! Aqui quem fala, é do pronto socorro da vossa cidade.
- Sim, o que deseja?
- Aconteceu um acidente gravíssimo, na avenida próximo ao centro. Com uma moça.
- Como assim, eu conheço a moça?
- De fato, ela mencionou um nome e um telefone. - Imediatamente liguei e o senhor atendeu.
- Não pode ser! - Estou a caminho.
Minutos depois, cheguei ao acidente, estava lá, a tal moça debruçada de costas. O cabelo era familiar a roupa não me era estranha. Os médicos viraram-a de frente, era ela, a mulher da minha vida. Toda ensanguentada. Não me contive e desabei em lágrimas. A situação era muito grave. Tiraram o casaco dela e o bilhete que ela haveria de deixar sobre a mesa aquela hora, caíra ao chão e o vento a meu favor traz aquele pedaço de papel até a minha mão. Segurei-o, minhas lágrimas caíram sobre ele e o deixou úmido. Estava sutilmente dobrado em quatro partes. Abri e nele dizia: ” O nosso amor poderia ter dado certo, mas nos deixamos abater por meros detalhes. Peço-lhe um tempo. Preciso pensar sobre nós dois. Estou partindo, indo pra casa de minha mãe. Ligarei assim que chegar. PS: Eu te amo! O exame de maternidade, deu positivo. Estou grávida. Lembre-se da nossa promessa: “Juntos para sempre, meu amor.” Ao terminar de ler, me veio um aperto no peito, a direita vinha o médico a minha direção e diz: - Sinto muito!
A partir daquele momento, meu mundo havia entrado em transe, meu coração acelerou, veio aquele sentimento de culpa, meus olhos ficaram embaçados, caí de joelhos e tudo ficou escuro. Acordei assustado, eu estava no meu quarto, achei estranho. Olhei para os lados, procurando ela… Não encontrei. No bidê ao lado, estava aquela fotografia encontrada na gaveta de meia e um bilhete que dizia: ” Juntos para sempre, meu amor” Pulei da cama corri para a cozinha, lá estava ela, preparando meu café da manhã. Totalmente aliviado, pensei: ” - Ufa! Não passou de um sonho ruim.” Imediatamente corri sorrindo, abracei-a por trás e disse: - Te amo meu amor… Juntos para sempre. Ela sorriu e disse: - Ué, aconteceu alguma coisa?
- Não, eu só não quero te perder, pra depois dar valor.
- Que lindo amor, te amo.
- Eu amo mais, pode ter certeza."
"Na vida é assim mesmo: Você simplesmente muda. Muda por algo, por alguém ou muda por mudar. Mas diante dessas mudanças, você simplesmente se torna alvo de questionamentos obstruídos. Questionamentos sem conclusão prévia do por quê. É, acostume-se, as pessoas não tem o interesse de ir a fundo pra saber, conhecer, entender o porquê da mudança. As mudanças estão explicitamente na cara; é de se notar. Mas eles não passaram pelo que passei, talvez. Se tivessem passado, de certa forma, não questionariam. Uns chamam de ousadia da minha parte mudar e deixar pra trás todas aquelas pessoas que gostavam de como eu era antes, pessoas que eu achava que iriam ser eternas. Mas devidamente por ‘culpa’ da mudança, não foram. Não é o que dizem? Nada é pra sempre. Não deixa de ser verdade. Enfim, você simplesmente segue o roteiro do tempo, se renova, se revigora. Faz parte. É um tanto egoísta, confesso. Mudar e não se dar ao luxo de preocupar com os outros. De fato, eu concordo que diante das mudanças, sempre tem alguém que fica pra trás. Inevitável. Mas pode-se ter certeza, que de todos os questionamentos, nenhum será: ” - A mudança foi melhor pra você?” Esse sim, eu teria o prazer de responder, sem deixar o silêncio me conter. Me desculpar seria covardia. É, eu mudei, pra melhor ou não, não interessa. Mas mudei. Aceitem, é só isso que eu peço."
"- Eu quero ir embora. Solta meu braço. Me deixa passar.
- Já deixei inúmeros amores passar por essa porta. Não pretendo fazer o mesmo contigo.
- Eu não sou mais seu amor. Nem nunca vou ser. Larga meu braço.
- Há controvérsias, mas tudo bem. Pode ir. Vamos ver até onde você vai antes. Se vai sair desse mesmo prédio, descer as escadas até o último andar, sair correndo sem olhar pra trás. Creio que há volta.
- Não conte com isso. Não cultive grandes esperanças. Eu quero andar com os pés no chão. Numa areia que não me queime os pés. Cansei dessa vida movediça. Chega de romance de prosa e verso. Você é muito denso, muito profundo. Eu preciso de um amor de verdade.
- Tudo bem. Pronto, já te soltei, a porta está aberta. Vai. Pode ir. Anda. Vá atrás do seu amor de verdade. Mas só espero que não seja tarde demais, pra notar que seu amor de verdade, estava aqui o tempo todo, só você não viu."
"É bastante cedo pra ter a ousadia de tirar conclusões do que estou sentindo nesse momento. Seria paixão momentânea? Talvez essa hipótese seja descartada, afinal foi apenas uma troca de olhares, um friozinho na barriga e uma tremidinha básica. Seria amor a primeira vista? Nesse caso não podemos descartar, ou talvez sim. Como poderia ser amor se foi apenas uma fitada de olhares qualquer por milésimos segundos, foi um tanto rápido demais para ser chamado disso, certo? Talvez eu esteja certo quanto a isso. Então o que seria? Atração a primeira vista? Bingo! Talvez toda essa introdução, valeu de uma ou talvez óbvia conclusão. O que mais seria? Afinal, ela tinha um belo par de pernas, um cabelo escorrido, olhos azuis e um andar totalmente sensual. De fato não rolou sequer um sentimento. O que certamente passou pela cabeça é que eu estava ali fazendo o meu papel de caça. Ela seria só mais uma presa, era o que ela me apresentava aparentemente naquele momento. Apenas um objeto sexual que seria usada e facilmente descartada como todas as outras. Afinal homem vivido, sabe muito bem a mulher que quer pra casar. E esse tipo de mulher, só serve pra diversão e pra pôr a abstinência de meses em dia."
"Não desdenho e muito menos desvalorizo, pelo contrário, eu sinto saudade de todas aquelas pessoas que passaram pela minha vida por um curto período de tempo. Apesar de terem feito apenas uma breve passagem, conseguiram deixar suas marcas e também de forma significativa, conseguiram mudar bastante minha vida."
"Depois de tantos sofrimentos, depois de tantas decepções. O coração não aguenta mais. E você acha que o amor já não tem mais chances de aflorar. Você simplesmente se limita a amar. Mas, sempre aparece alguém disposto a curar as feridas causadas pelo amor. No entanto esse alguém o surpreende e consegue a cura. Mas depois se afasta, a ferida se abre novamente e os danos se tornam ainda maiores."
"Das voltas que o mundo ainda pode dar, há sempre uma esperança do nosso caminho se cruzar."
"Ao mesmo tempo que você consegue fazer eu te amar, você também tem uma grande capacidade de me fazer te odiar. Mas não é aquele ódio excessivo, é um ódio apaixonado, com aquela vontade de bater e ao mesmo tempo abraçar, te morder e ao mesmo tempo te beijar. É confuso, é engraçado, é estranho. Você tem o dom de me fazer ciúmes, consegue me tirar do sério tão facilmente. Você usa as palavras a seu favor, tornando-as uma arma contra mim. Você tem o prazer de dizer que olhou aquela pessoa bonita passar, só pra ver a minha reação, e depois dá aquele sorrisinho sarcástico de que aprontou algo. Você adora me provocar, e consegue fazer isso muito bem. Você consegue me deixar confuso, me deixa em dúvida entre o amor e o ódio. Mas de uma coisa eu não tenho dúvida, ter conhecido você foi a melhor coisa. E apesar do destino com toda sua ironia, ele uniu eu e você. Ou melhor, ele uniu ‘nós’."
"Eu sou assim mesmo, um tanto complicado. Gosto do proibido, do impossível, do errado. Não é a toa que eu sofro tanto."
"Como toda droga, o amor não é diferente. Ele também pode causar danos."